|
“Pequenos Surtos”
Arthur Bispo do Rosário era esquizofrênico paranóico. Em seu surto, recebeu a missão de recriar o universo para apresentar a Deus no dia do Juízo Final. Recolheu objetos dos restos da sociedade de consumo como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparou-os com preocupações estéticas subvertendo a realidade numa fantasia onde acreditava estar reconstruindo o mundo.
De que cor você vê a minha aura?
Essa pergunta não foi escrita por Bispo em nenhum de seus trabalhos, ela representa uma postura artística tomada pelo o artista. Trabalhos como os de Artur Bispo do Rosário abrem portas misteriosas para discussões da Arte Contemporânea. Como um turbilhão a contemporaneidade ferve com seus novos padrões.
Somos convidados a observar a coleção, de uma maneira poética e romântica.
Ouvindo vozes do inconsciente, Bispo inicia a construção de um universo e em suas viagens, em suas lutas, o seu cotidiano é retomado com tal intensidade que transborda e dissipa a esfera social. A questão hoje é essa. Se pensarmos na tradicional concepção de arte, é possível que se chegue à conclusão de que é um delírio onde alguns loucos se dizem artistas.
O Processo Criativo do artista e não o seu resultado é o mais importante. Imagine a moda pautada na efemeridade, na mudança constante, o jogo de cores, de texturas, as linhas, os volumes, e se falarmos do movimento, a conquista do espaço, a necessidade absurda da estética perfeita. Isso é loucura? OU É ARTE? Imagine um lugar sem normas, sem regras. Dessa forma, seríamos livres, absolutamente livres.
Francisco Matias
Começou na moda as 25 trabalhando com a irmã no Ateliê Arefeito. Nesse período ingressou no Curso Técnico em vestuário no Senai-Ce. Em 2003, venceu o concurso novos Talentos do Dragão Fashion Brasil, com uma coleção inspirada na artista plástica mexicana Frida Kahlo.Como resultado da presença no Dragão foi convidado pela a Edisca - escola de dança, a criar o figurino para o espetáculo Demoaná, em 2004 assina novamente o figurino do espetáculo, Urbes Favela. Esses trabalhos lhe enchem de orgulho, por tratar de uma Ong, e, focar a inclusão social.
Ainda em 2004, apresentou na Fenit-SP, a mini coleção "Pequenos Surtos", inspirada na vida e obra de Arthur Bispo do Rosário. Em 2007, transformou sua casa numa loja, onde, mais tarde viria a ser o Coletivo Acervo Aberto. Em 2008, lançou a coleção-video-art, "A Dama da Compulsão", inspirada na obra de Nelson Rodrigues. Assinou em 2009, o figurino do espetáculo de dança ""Diversiment"", uma homenagem ao grande bailarino cearense , Hugo Bianchi, ainda em 2009, assinou o figurino juntamente com o Coletivo Acervo Aberto, do filme média metragem " O Auto da Camisinha", de Cleber Viriato. No mesmo ano assinou as coleções da marca cearense Joiôla. Atualmente, assina a direção criativa da Empresa de Aviamentos.com, e é sócio-administrador do Coletivo Acervo Aberto.
Sua grande paixão é a moulage, processo pelo o qual lhe dá liberdade para novas formas em suas criações.
|